2005/11/16

(r)evolução

Meu amigos, tenho um comunicado importante a fazer-vos: o maio de 68, as brigadas vermelhas, o 25 de Abril, o 1º de Maio e restantes revoluções e/ou marcos de indignação estão, completamente, fora de moda.
Polémico, triste. Mas verdade. Hoje em dia perdeu-se totalmente a noção de direitos. Aliás, parece que o povo português gosta, passivamente, de ver as suas regalias retiradas. Salários congelados, aumento dos impostos, mais taxas, piores serviços, listas de espera imensas... Argh!

ABRAM OS OLHOS!

Sim, estou a tentar ser apelativo. Tenho a vossa atenção? Óptimo! Nós somos apenas meros números numa sociedade que, simplesmente, perdeu a noção de valor humano. Somos eleitores, consumidores, pagamos impostos. Este é o verdadeiro valor do povo. Ainda há uns anos foi esse mesmo povo que derrubou um regime fascista e opressor. E agora?

Hoje em dia já não existem revolucionários como antigamente. Apenas jovens cheio de testosterona, e incluo-me nesse grupo, a quererem mudar o mundo sempre para melhor, acabando com as injustiças e, principalmente, combatendo o cada vez maior fosso entre as classes altas e baixas, começando e destruir o conceito de classe média.
As mudanças são simples. Fazer tremer o sistema não é impossível. Uma pessoa pode fazer a diferença adoptando uma postura sensata face ao problema. Se, por exemplo, boicotarmos as grandes produtoras capitalistas, como MacShits, Microshits, Adidofilias, Naikes e afins, que exploram os seus trabalhodores, muitos destes infantis, conseguiremos provar um ponto de vista. Somos uma sociedade de massas que começa a perder a noção de valor humano. É o nosso defeito! Mas é também o nosso trunfo, a nossa arma. Em massa, podemos criar novos conceitos sociais, novas ordens. Mais justas por natureza.
Dá que pensar não dá?

Sugiro uma visita a este site, na secção portuguesa,

Marxists

A minha escrita não tem sido assídua. Mas, também, não quero forçar nada. A minha análise do dia-a-dia surge, apenas, num momento de inspiração.

Hasta la Victoria, SIEMPRE!

2005/10/16

Desentoxicação

Bem, de momento encontro duas palavras para definir faculdade: alcóol e droga. Entrando no espírito académico, desde que as aulas no meu curso começaram, que a minha vida tem sido borga. Talvez por isso não tenha escrito tanto por estas bandas. No entanto, entro agora numa purificação física e mental do meu ser, para me dedicar mais afincadamente nos meus objectivos; simples e claros: acabar um projecto de website, tentar ter média de 16 no curso e amealhar dinheiro suficiente para um computador novo. Para isso, lá está, não posso passar o tempo da faculdade na esplanada a beber imperiais e a fumar ganzas.

Até agora, estou extremamente excitado com o meu curso. As cadeiras, os professores, a escola! Tudo me parece novo, como por estrear, e reserva-me surpresas e vivências. Quatro anos de licenciatura que quero aproveitar para crescer enquanto pessoa. A verdadeira revolução vem de nós mesmos.

Enfim, estou cansado. Vou acabar o meu cigarro e vou dormir. Amanhã, começam as aulas a sério.

2005/10/06

Tempos

Os tempos mudam com as vontades. Se algo está mal em nós, porque não nos mudarmos? Porque não crescer, evoluir e abranger novos horizontes?

Penso que é nato ao ser humano querer sempre estar melhor. Maslow, com a sua pirâmide das necessidades, encontrou cinco patamares embutidos numa hierarquia simples. Mas a mente humana é tudo menos simples. Mudamos as nossas opiniões, crenças e posições de um momento para o outro quando, de forma brusca, a realidade, tal como a conhecemos e habituámos, se transfigura.
Quando nos sentimos perdidos, é por duas razões: ou algo em nós nos diz que não estamos a conseguir ser felizes ou, então, a apatia de existir se abate sobre nós. Aí, só nos resta uma solução: reagir. Mudar o que somos, tentar coisas novas, mais aliciantes. Para alguns, a descoberta da luz de uma religião qualquer, para outros as drogas. Depende do que somos e, no fundo, queremos. Porque isso, os nossos sonhos, morrem mesmo connosco. Certo?

2005/10/03

Natureza

A Natureza, o todo que Ela representa, é aquilo a que eu posso chamar de entidade superior. Isto, à primeira vista, pode parecer descabido e um pouco louco mas, no fundo, não o é. Repare-se na destreza com que a Natureza encontra soluções para evoluir sempre as suas crias. É um poder de selecção natural que segue uma ordem a que todos nós, Homens, temos que obedecer.
Acho que vivo fascinado com o que a Natureza nos proporciona. Quando era mais novo andei nos escuteiros. Aventuras no meio da natureza que ainda hoje me assaltam a memória. E, mais tarde, o meu interesse pela flora no geral, despertou fortemente.
A nível pessoal, vivo fascinado com o poder da Natureza sobre o Homem. Tradições seculares, "mézinhas da avó", conhecimentos de alquimia e a farmacologia como hoje a conhecemos, provam-nos o imenso poder das plantas na sociedade dos nossos dias. Os males que o ser humano pode sofrer, a natureza compensa com as suas curas. Só temos é que aproveitar a nossa inteligência e usufruir de aromas, efeitos e sabores de plantas únicas.
A mente humana é ainda um labirinto que ultrapassa barreiras muito além da compreensão humana. É irónico, a única raça animal inteligente é aquela que não compreende o porquê da sua inteligência. No entanto, temos imensos produtos que nos estimulam a mente e, como alguns Antigos poderam dizer, nos elevam a um estado superior. Isto, para quem ainda não percebeu, são as drogas. Apesar de estar consciente do efeito devastador que algumas substâncias opiàceas ou de origem da coca, existem outras plantas que podem ser usadas com moderação e sem grandes danos colaterais. A cannabis é, sem dúvida, a minha "mézinha" preferida. Mas isso são outros contos. No entanto, sou também adepto da verdadeira tília, que me vejo grego para comprar, como calmante; e extractos de guaraná como estimulantes. Existem milhares de plantas com efeitos diversos sobre nós. É uma questão de as conhecermos, colhermos e tomarmos como ditam as leis seculares que nunca foram escritas, apenas ouvidas.

2005/09/24

Excessos

Já me tinha esquecido do que era a "rotina" das idas ao bairro alto. O porquê de o fazer permanece uma incógnita, mas que eu adoro passar lá as minhas sextas-feiras... ninguém o pode negar. Talvez, como terapia para o stress que a vida na cidade cosmopolita cria, as pessoas se dirigam para lá, a fim de conversar com os seus amigos e beber um copo, num ambiente que se preza por ser menos conservador, onde Jah se fuma sem preconceito.
Realmente, eu gosto do bairro alto. Mas mais pelas pessoas que encontro lá, recordações de tempos idos, mas não esquecidos. Entre copos de cerveja e joints, que contribuiem para um estado de espírito que sempre adorei e apreciei, converso com conhecidos que, de uma ou outra forma, partilham o seu conhecimento e experiência.
Os excessos existem desde sempre. E ontem foi mais um excesso de bebida e outas substâncias...

2005/09/23

Amizade

Os amigos nascem e morrem nas nossas vidas. Têm o seu começo, a sua ordem, a sua posição. Tomam-nos de assalto, como se nos quisessem todos de uma vez e, só aí, a amizade floresce com uma empatia que só se gera no momento específico. Uns, duram uma vida inteira, de tristeza e alegria. Outros, partem como as folhas de outono que caiem, esquecidas por todos nós. Ocasionalmente, lembramo-nos de momentos passados, intensos outrora, remetidos apenas a ténue massa corpórea de uma lembrança. E por isso é que o Passado faz tanto sentido para o Homem; permite-lhe lembrar-se do que passou para ser o que é no Presente.
Às vezes tenho a impressão de que sou malformado, que o meu egoísmo e arrogância destroiem os laços que me rodeiam. Mas também penso que é a minha maneira de ser e que, como alguns conseguem, deve ser respeitada. Ou seja, só gosta quem quer.
Gosto das pessoas, divertem-me e fazem-me aprender. Dou por mim a querer conhecer o ínfimo de um assunto que alguém percebe, viveu ou quer viver. É fascinante a variedade de conhecimento humano individual que passa por nós todos os dias. Cada um tem a sua especialidade, a sua paixão. E, como é claro, a sua vivência única.
A patologia a que me referi no post anterior, infelizmente, é o meu calcanhar de Aquiles. Eu farto-me da frescura das pessoas. Quando a sua existência de torna estática e óbvia, ou então quando muda para algo que não me atraia, simplesmente farto-me. Por vezes, o interesse surge novamente. Outras não, e uma história de vida em comum acaba, abandonada pelos infortúnios incómodos da vida.

2005/09/22

Enfadado

Eu hoje levantei-me relativamente cedo. Às dez horas da manhã estava acordado, pronto para começar o meu dia. Como sempre, saboreei o prazer das minhas pseudo-férias preguiçando até à hora de almoço. Embrenhado nos meus pensamentos e ideias, surgui-me a ideia de comprar o jornal "Avante!". Já há uns anos que não o comprava e lembrei-me logo da papelaria antiga da minha rua onde um senhor, velho e idealista, vendia o jornal de um partido já esquecido e odiado por muitos. Dirigi-me à papelaria e, para minha surpresa, encontrei caras novas, um aspecto renovado, imensas revistas cor-de-rosa mas nada de "Avante!".
Triste, o tempo mata as pessoas e faz as coisas mudarem. O meu espírito revolucionário tranformou-se em comodismo puro e não me apeteceu andar mais para encontrar o jornal. A apatia, por vezes, toma-nos de assalto, e não nos larga durante um valente tempo...