2005/09/24

Excessos

Já me tinha esquecido do que era a "rotina" das idas ao bairro alto. O porquê de o fazer permanece uma incógnita, mas que eu adoro passar lá as minhas sextas-feiras... ninguém o pode negar. Talvez, como terapia para o stress que a vida na cidade cosmopolita cria, as pessoas se dirigam para lá, a fim de conversar com os seus amigos e beber um copo, num ambiente que se preza por ser menos conservador, onde Jah se fuma sem preconceito.
Realmente, eu gosto do bairro alto. Mas mais pelas pessoas que encontro lá, recordações de tempos idos, mas não esquecidos. Entre copos de cerveja e joints, que contribuiem para um estado de espírito que sempre adorei e apreciei, converso com conhecidos que, de uma ou outra forma, partilham o seu conhecimento e experiência.
Os excessos existem desde sempre. E ontem foi mais um excesso de bebida e outas substâncias...

2005/09/23

Amizade

Os amigos nascem e morrem nas nossas vidas. Têm o seu começo, a sua ordem, a sua posição. Tomam-nos de assalto, como se nos quisessem todos de uma vez e, só aí, a amizade floresce com uma empatia que só se gera no momento específico. Uns, duram uma vida inteira, de tristeza e alegria. Outros, partem como as folhas de outono que caiem, esquecidas por todos nós. Ocasionalmente, lembramo-nos de momentos passados, intensos outrora, remetidos apenas a ténue massa corpórea de uma lembrança. E por isso é que o Passado faz tanto sentido para o Homem; permite-lhe lembrar-se do que passou para ser o que é no Presente.
Às vezes tenho a impressão de que sou malformado, que o meu egoísmo e arrogância destroiem os laços que me rodeiam. Mas também penso que é a minha maneira de ser e que, como alguns conseguem, deve ser respeitada. Ou seja, só gosta quem quer.
Gosto das pessoas, divertem-me e fazem-me aprender. Dou por mim a querer conhecer o ínfimo de um assunto que alguém percebe, viveu ou quer viver. É fascinante a variedade de conhecimento humano individual que passa por nós todos os dias. Cada um tem a sua especialidade, a sua paixão. E, como é claro, a sua vivência única.
A patologia a que me referi no post anterior, infelizmente, é o meu calcanhar de Aquiles. Eu farto-me da frescura das pessoas. Quando a sua existência de torna estática e óbvia, ou então quando muda para algo que não me atraia, simplesmente farto-me. Por vezes, o interesse surge novamente. Outras não, e uma história de vida em comum acaba, abandonada pelos infortúnios incómodos da vida.

2005/09/22

Enfadado

Eu hoje levantei-me relativamente cedo. Às dez horas da manhã estava acordado, pronto para começar o meu dia. Como sempre, saboreei o prazer das minhas pseudo-férias preguiçando até à hora de almoço. Embrenhado nos meus pensamentos e ideias, surgui-me a ideia de comprar o jornal "Avante!". Já há uns anos que não o comprava e lembrei-me logo da papelaria antiga da minha rua onde um senhor, velho e idealista, vendia o jornal de um partido já esquecido e odiado por muitos. Dirigi-me à papelaria e, para minha surpresa, encontrei caras novas, um aspecto renovado, imensas revistas cor-de-rosa mas nada de "Avante!".
Triste, o tempo mata as pessoas e faz as coisas mudarem. O meu espírito revolucionário tranformou-se em comodismo puro e não me apeteceu andar mais para encontrar o jornal. A apatia, por vezes, toma-nos de assalto, e não nos larga durante um valente tempo...

2005/09/20

Utopismos

Este blog nasce da minha necessidade de escrever e ser lido. Gosto de partilha as minhas opiniões e vê-las ser, construtivamente, comentadas. Numa comédia americana sobre as peripécias e borgas da vida académica, reti uma frase que me marcou: "A base da existência humana é criar o maior número de relações sociais possíveis."
Estando perfeitamente consciente de que "o Homem é um ser social", tenho vindo a confirmar a minha teoria de que as pessoas alimentam a minha forma de ser, enriquecendo-a. Ora, talvez por isso, e como tudo na vida, eu pago um preço: eu canso-me das pessoas. Quando vejo que nada de original, útil ou constructivo possa vir da pessoa, simplesmente afasto-me. Penso que se trate de uma patologia social de qualquer género. É-me indiferente.
Mas quero socializar, sob o manto deste blog, com pessoas. E partilhar um pouco daquilo que sou num segredo guardado por mim e por aqueles de quem ainda não me fartei e cuja lealdade será sempre épica.
São os meus pequenos utopismos.

Prólogo

Bem, todos os blogs têm o seu começo. E também um fim, mas ainda falta para chegarmos a essa parte. Agora, estou no início. Como autor, é o meu terceiro. Penso que os blogs são pequenas partes das nossas vidas que podem durar uns anos ou apenas uns dias; fragmentos de nós que deixamos a um mundo onde toda a gente está a um clique de distância.

Quem me ler, se alguém ler, irá conhecer alguns aspectos daquilo que eu sou. Calma. Tudo tem o seu lugar e tempo adequados. Em primeiro lugar, o título do blog. É a tradução de uma obra literária obsoleta, escrita por um herói de tempos que, hoje em dia, não fazem sentido. Valores puros de uma época onde a liberdade era comprada e limitada. Hoje, a realidade é outra. A liberdade é a prisão do homem, que o condiciona à vida e às chagas que ela traz. Por isso, quero lutar, nem que seja por escrito, contra aquilo que atentar contra à minha liberdade. Porque se é a minha prisão, que seja eu a cometer os crimes da maneira que quero.

Um novo mundo foi criado. Para mim, também uma nova vida.

Agnóstico, adj. relativo ao agnosticismo; que professa esse sistema;